Instituto TIM

Por mais mulheres trabalhando na área de TI

Dos 30 cursos publicados na plataforma TIM Tec, 23 são voltados para a área de Tecnologia da Informação (TI) – exploram linguagens de programação, desenvolvimento de software, games e interfaces web etc. Esses cursos são ministrados por, ao todo, 27 professores e professoras, sendo que somente cinco são mulheres: Juliana Braga, de Introdução à lógica de programação; Gabriela Dias, de Publicação digital em dispositivos móveis; Yasodara Córdova, de Arquitetura da informação e projeto de sistemas; Talita Pagani, de Desenvolvimento de front-end; e Dani Guerrato, de Design de interfaces com CSS3.

Essa situação reflete uma realidade do próprio mercado. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), do IBGE, as mulheres correspondem a 15% dos alunos dos cursos de Ciências da Computação e Engenharia e a cerca de 20% dos profissionais de TI. Mas nem sempre foi assim. A predominância masculina nas carreiras ligadas à computação é um movimento recente, dos últimos 30 anos. Antes, saber operar um computador era uma necessidade para as mulheres, mais propensas a seguirem carreira de secretariado. Prova disso é que, nos anos 1970, cerca de 70% dos alunos de Ciências da Computação da Universidade de São Paulo eram mulheres. Elas foram pioneiras na área. Ada Lovelace, por exemplo, foi a primeira programadora da história. Já Grace Hopper criou a primeira linguagem complexa de computador.

De lá para cá, a computação se tornou um ambiente predominantemente masculino – o que, infelizmente, não é exceção nas modalidades de STEM (Science, Technology, Engeneering and Mathematics). “A maior dificuldade é que a gente tem que se provar muito mais. É como se você não tivesse direito de ser mediana. Se a gente comete o mesmo erro que um homem comete, a cobrança é maior. Esperam que você seja a melhor da turma, que se destaque mais, quando na verdade nós queremos ser como qualquer outro profissional”, conta a programadora e mestre em Ciência da Computação Talita Pagani, professora de TIM Tec.

Em 10 anos no mercado, Talita conheceu ambientes hostis, aguentou piadinhas, ideias suas foram apropriadas por outros colegas, foi ignorada em recrutamentos internos. “Muitas vezes, vem a pessoa de TI, e não esperam que seja você, ou não acham que você tenha aquele conhecimento necessário sobre o assunto”, exemplifica.

Mas as coisas estão mudando. “Nos últimos 30 anos, a área de TI tem sido esse ambiente que acabou virando muito masculino. Mas eu vejo como uma das áreas que tem mais movimento para que isso melhore, diferente de outras mais tradicionais”, afirma Talita. É consequência da dinâmica desse mercado, em que a colaboração é elemento-chave. As pessoas se unem em eventos e ambientes online para compartilhar conhecimento e formam redes, e esse esforço de comunidade contribui para a troca de informações e o fortalecimento da participação feminina.

Para Talita, o caminho para abrir o mercado de TI para mais mulheres é levar o conhecimento de que essa não é uma área só para homens às crianças, conscientizando meninas e explicando as opções, incentivando habilidades lógicas e matemáticas desde o Ensino Fundamental. “Muitas vezes a gente faz um trabalho para quem já é adulto, mas é mudar a mentalidade de todo mundo”, salienta. Outras ações afirmativas são aumentar o número de professoras nas universidades e ampliar a rede de apoio para mulheres nas empresas e escolas, permitindo que elas contem com alguém caso sofram assédio.

 

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